ISSN: 1983-6007 N° da Revista: 20 Maio à Agosto de 2013
 
   
 
   
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Pesquisa-Intervenção junto a usuários de um CAPS da região Norte do Brasil
Intervention research with users of the CAPS in the region North of the Brazil

 
     
 

Cleber Lizardo de Assis
Mestre em Psicologia/PUCMG Doutorando em Psicologia/USAL-AR Docente do curso de Psicologia da UNESC-RO Pesquisador-coordenador do Grupo de Pesquisa Estudos Psicossociais Regionais UNESC-RO Membro do Grupo de Pesquisas Práticas de Saúde em Clínica Ampliada na Contemporaneidade-PUCMG
E-mail: kebelassis@yahoo.com.br

Luciana Roa
Graduanda em Psicologia das Faculdades Integradas de Cacoal UNESC-RO
E-mail: luroa1@hotmail.com

Lucineide Santana
Graduanda em Psicologia das Faculdades Integradas de Cacoal UNESC-RO
E-mail: santana-neide2011@hotmail.com

Priscila de Assis
Graduanda em Psicologia das Faculdades Integradas de Cacoal UNESC-RO
E-mail: spriscila.assiss@gmail.com

Rosângela Aniceto
Graduanda em Psicologia das Faculdades Integradas de Cacoal UNESC-RO
E-mail: rosangela.aniceto@hotmail.com

 

Resumo: A Lei 10.216/2001 assegura a proteção e direitos das pessoas portadoras de transtornos mentais, com um novo olhar sobre o sofrimento psíquico no que diz respeito a subjetivação do sujeito, resgate da cidadania e inclusão social. No entanto, a normatização desta Lei contrasta com o apontamento de algumas conquistas relevantes do Movimento pela Reforma Psiquiátrica, que apontam para esse risco de "manicomialização" dos novos equipamentos. Objetivo: Analisar um processo de Pesquisa-Intervenção realizado junto a um grupo de sujeitos do CAPS II, pessoas com sofrimento mental, de um município do interior de Rondônia; Método: A partir de uma pesquisa-intervenção em psicologia foi realizada com 17 (dezessete) usuários e 02 (dois) funcionários do CAPS II da cidade de Cacoal/RO, sob estudo teórico-bibliográfico e oficinas de trabalhos artesanais. Resultado e Discussão: verificou-se a possibilidade de ações interventivas através de oficinas com artesanato, como base de socialização, reinserção social através do trabalho, além de uma maior adesão ao tratamento e qualidade de vida; Conclusão: As oficinas junto a sujeitos-usuários do CAPS devem ser praticadas e aperfeiçoadas, de modo a colaborar para adesão ao tratamento e a produção de laço social, além de ser a pesquisa-intervenção uma metodologia a ser adotada no ensino de Psicologia.

Palavras-chave: Sofrimento mental; Pesquisa-intervenção; Reforma Psiquiátrica; CAPS.

Abstract: The Law 10.216/2001 ensures the protection and rights of people with mental disorders, with a new look at psychological suffering regarding the subjectivity of the subject, promoting citizenship and social inclusion. However, the standardization of this Act contrasts with the appointment of some relevant achievements of the Movement for Psychiatric Reform, pointing to the risk of "manicomialização" of new equipment. Objective: To analyze a process-Intervention Research carried out among a group of subjects CAPS II, people with mental suffering, a city in the interior of Rondônia; Method: From a research-intervention was held with seventeen (17) members and two (02) employees of the city of CAPS II Cacoal / RO under theoretical and bibliographical study and crafts workshops. Results and Discussion: there was the possibility of intervening actions through workshops with crafts as a basis of socialization, social integration through work, and greater adherence to treatment and quality of life; Conclusion: The workshops with subjects-users CAPS should be practiced and perfected ways of collaborating to adherence to treatment and the production of social bond, besides being the intervention research methodology to be adopted in the teaching of Psychology.

Keywords: Mental suffering; Intervention-research; Psychiatric Reform; CAPS

 
 


Pesquisa-Intervenção junto a usuários de um CAPS da região Norte do Brasil

Introdução

A Lei Número 10.216/2001, de 06 de abril de 2001, assegura a proteção e direitos das pessoas portadoras de transtornos mentais, e representa um grande passo para um novo olhar sobre o sofrimento psíquico no que diz respeito a subjetivação do sujeito, resgate da cidadania e inclusão social. No entanto, a normatização desta lei contrasta com o apontamento de algumas figuras relevantes do Movimento pela Reforma Psiquiátrica que apontam para um risco de "manicomialização" dos novos equipamentos (Campos e Furtado, 2006, p.1054). Para superar os modelos arcaicos e ineficazes que intensificam o risco de manicomialização mencionado, existem práticas que se apresentam não como um modelo padronizado de ação, mas como caminhos que tornam possíveis esta prática e que em conjunto com outras classes, o psicólogo desempenha um papel fundamental, seja na desmistificação do sofrimento mental, através de meios possíveis de demonstrar que o sofrimento é um constituinte da existência humana. Desta forma o sofrimento mental deixará de ser visto como patologia e consequentemente deixará de produzir o isolacionismo, a segregação e a institucionalização (Dittrich, 1998). O trabalho preventivo do psicólogo, segundo Dittrich (1998), é um caminho inovador efetivado através de intervenções comunitárias, de forma que, através de seu saber científico assume práticas preventivas e de promoção de saúde junto a esse público, além da importância da socialização e da luta contra a institucionalização. Esse fenômeno impossibilita a relação daquele que sofre com seu mundo social isentando este indivíduo de contato humano, de socialização, de modo que o autor afirma que o melhor "remédio" contra o sofrimento mental é o contato humano. Nesse sentido, o papel do psicólogo, em tal contexto, se constitui em abrir ao sujeito um leque de possibilidades, visando o fim do sofrimento, propiciando liberdade e integração social, entretanto, isto será efetivado por meio de diferentes técnicas de intervenção que fazem parte do saber desse profissional. Diante desse contexto, para Martins e Rocha (2001), o modelo de profissional de psicologia no Brasil foi se transformando de acordo com as necessidades apresentadas pela sociedade que são, segundo os autores, desemprego, pobreza e desigualdade social, por exemplo, provocando a necessidade de pensar na função social do psicólogo e na transcendência social da psicologia. Ainda neste contexto social de transformações, Martins e Rocha (2001), afirmam que a psicologia vem recebendo novos desafios, abrindo novos espaços de trabalho que exigem, cada vez mais, uma especificidade de ação concluindo então que a psicologia da saúde surge da necessidade de promover e de pensar o processo saúde/doença como um fenômeno social. De acordo com essa nova mudança no processo saúde/doença, Martins e Rocha (2001) ainda afirmam que o processo saúde/doença, entendido como um fenômeno coletivo, num processo histórico e multideterminado, remetem-nos a uma atuação integrada com vistas à saúde, demonstrando a necessidade da interdisciplinaridade. Assim, o movimento da saúde integral e a visão biopsicossocial, influenciará a nova forma de atuação, enfatizando a melhoria da qualidade de vida no trabalho e o direito de todo cidadão de receber atenção e cuidados que lhe garante atendimento global.

Com esse fito, portanto, que a proposta ora apresentada de pesquisa-intervenção em um Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) pode ser um caminho para a inovação mencionada neste trabalho permanente e uma ação necessária para consolidar os ideais da Luta Antimanicomial no país e, em especial, na região Norte.

A pessoa com sofrimento mental: breve histórico

Na antiguidade predominava o conceito religioso acerca da doença, consideravam que forças alheias ao organismo é que o acometia da doença por causa do pecado ou por uma maldição. A medicina grega contribuiu substancialmente na forma de entender a doença, suas práticas em busca da cura que não se resumiam somente em rituais místicos, mas também era obtida pelo uso de plantas e de métodos naturais, sendo que neste contexto surge Hipócrates de Cós (460-377 a. C) com seu enfoque organicista da doença e Galeno (129-199) com o conceito endógeno da origem da doença. (Scliar, 2007).

Já na idade média ainda predominava o conceito religioso atrelado a doença e a saúde, tanto é que as instituições religiosas é que administravam os locais onde abrigavam os doentes, inclusive os hospitais; na modernidade inicia-se a mudança do conceito religioso de "doença" e começa a sofrer influência da alquimia e da química, especialmente a partir do suíço Paracelsus (1493-1541) com a concepção da origem exógena da doença. Mas, a partir de René Descartes, no século XVII, influenciado pela mecânica, faz uma associação corpo e máquina e postula um dualismo mente-corpo. Segue-se a era de uma ciência movida pelas descobertas no laboratório de Louis Pasteur, com ajuda do microscópio e a descoberta demicro-organismos causadores de doenças, o que possibilitou a introdução de soros e vacinas. Posteriormente inicia os estudos epidemiológicos e estatísticos que auxiliavam para a análise do nível sócio econômico relacionado à saúde e que culminou com o início do trabalho da saúde pública.

Já no "âmbito da psique", ao analisar a história da loucura nos séculos XVIII e XIX, é possível identificar um novo modelo de homem que surge na modernidade, em meio a um pensamento mecanicista: o sujeito da razão tem na loucura o seu contrário, o sujeito da desrazão, de forma que nesse período também surgem significados para a loucura como alienação e mais tarde doença mental, além de marcar o período em que a medicina apropria-se da loucura (Torre e Amarante, 2001). Assim, a partir do princípio do confinamento e do ideal de normatização do sujeito louco, foi instituído o asilo, a loucura deixa de ser vista como algo de ordem sobrenatural, mas como uma desordem da razão e então surge o conceito de que aquele que está fora de si, fora da realidade é, portanto, o sujeito alienado. A partir deste conceito, o modo de relacionamento social com a loucura passa a ser intermediado por uma ciência que Philippe Pinel define como alienismo (Torre e Amarante, 2001).

A institucionalização da loucura, portanto, torna-se uma regra geral, um princípio universal, sendo que o internamento deixa de ter um papel filantrópico ou jurídico-político e passa a ter um caráter de tratamento, o que implicava no método de isolamento como função terapêutica. (Torre e Amarante, 2001).

Políticas Públicas e a Reforma Psiquiátrica

Na busca de referencial teórico sobre a definição de Políticas Públicas, diversos conceitos foram encontrados, dentre estes, Souza (2009) cita três referenciais: Mead (1995), que define como um campo que analisa o governo à luz de grandes questões, Lynn (1980) afirma ser um conjunto de ações para produzir efeitos específicos e Peters (1986) define que políticas públicas é a soma de atividades do governo que agem direta ou através de delegações que influenciam a vida dos cidadãos. Segundo Souza (2009), para qualquer teoria da política pública é necessário citar as inter-relações existentes entre Estado, Política, Economia e Sociedade.
Segundo Martins e Vecchia (2009) na atualidade vêm sendo concedida atenção, no âmbito das políticas públicas de saúde no Sistema Único de Saúde (SUS) que são, centros de atenção integral à saúde, centros regionais de saúde mental, centros de atenção psicossocial, centros de convivência, serviços residenciais terapêuticos e a rede assistencial de atenção

básica (UBS). Com base nesses dados é importante perceber que há uma tentativa do governo em promover essas políticas públicas, no entanto, a consolidação deste novo modelo não é tão simples assim, pois passa pela produção de mudanças na racionalidade sobre os fenômenos de saúde por parte das equipes técnicas, na constituição de uma nova clínica (Schneider, 2009).

As iniciativas reformadoras prosseguiram ao longo do século XIX em meio a críticas do modelo asilar, o que culminou na luta contra a institucionalização, sendo que na Itália teve a contribuição importante de Franco Basaglia, tanto em sua produção teórica como nos processos de transformação no campo da saúde mental. Para Basaglia (1981) a desconstrução do manicômio era entendida como um conjunto de práticas multidisciplinar e multi-institucionais que deveriam ser exercidas em vários espaços sociais e não apenas no interior do hospício. Posteriormente, na década de 80 e no Brasil, surge, segundo Tenório (2002), o que seria o marco inaugural de uma nova prática de cuidados no Brasil: o programa de saúde mental de Santos/SP e o Centro de Atenção Psicossocial Luiz Cerqueira de São Paulo/SP e em 1987 acontece a I Conferência Nacional de Saúde Mental e posteriormente o II Encontro Nacional dos Trabalhadores em Saúde Mental, de forma que tais encontros não tiveram apenas o intuito de transformar o sistema de saúde, mas também de desconstruir as formas arraigadas de lidar com a loucura.

Surge a Reforma Psiquiátrica no país que visa, além do aperfeiçoamento ou humanização do modelo asilar, condenar a sua ação de normatização e controle, tanto que a marca distintiva e fundamental é o reclame da cidadania do louco permeado por exigências políticas, administrativas, técnicas e teóricas. No âmbito legal, foi aprovada a Lei 10.216, de 06 de abril de 2001, e de acordo com Silva e Col. (2002) é redirecionado o modelo da assistência psiquiátrica no país. Dentro dos moldes da Reforma, a Coordenação de Saúde Mental do Ministério da Saúde (COSAM) cria os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) e dos Núcleos de Atenção Psicossocial (NAPS).

Nesse sentido, o Brasil tem estabelecido através do Sistema Único de Saúde (SUS), estratégias de funcionamento das redes de atenção à saúde, especificamente a rede de atenção psicossocial. A partir dos dados da 10ª edição do informativo eletrônico de dados sobre a Política Nacional de Saúde Mental do Ministério da Saúde, em março de 2012, destacando dados estatísticos importantes do ano 2011, que identifica os principais desafios e propõe a construção de estratégias para garantir a acessibilidade e qualidade dos serviços da rede, como o cadastramento de 122 novos CAPS, entre eles o CAPSad24h. Estatisticamente a cobertura nacional chegou a 1 CAPS para cada 100.000 habitantes, perfazendo um total de 1.742 CAPS. Ainda na mesma fonte estatística, a rede de atenção psicossocial, a nível nacional, conta ainda

com 625 Residências Terapêuticas, 3.961 benefícios do programa De volta para Casa, 92 Consultórios de Rua e 640 iniciativas de inclusão social pelo trabalho de pessoas com transtornos mentais (Ministério da Saúde, 2012).

Atualmente encontram-se habilitados 3.910 leitos de psiquiatrias em Hospital Geral, distribuídos em 646 hospitais por todo o país e ao longo do período de 2006 -2011, foram aprovados 851 projetos de Supervisão clínico-Institucional, segundo a 10ª edição do informativo eletrônico de dados sobre a Política Nacional de Saúde Mental do Ministério da Saúde (2012). Já a Tabela 1 apresenta informações, segundo dados coletados da 10ª edição do informativo eletrônico de dados sobre a Política Nacional de Saúde Mental do Ministério da Saúde, março de 2012, para o estado de Rondônia no período de 2011:

Tabela 1: CAPS em Rondônia – período: 2011
CAPS por tipo
CAPS I: 11 unidades
CAPS II: 05 unidades
CAPS ad: 1 unidade
CAPS/100.000 habitantes
0,74 (cobertura muito boa/acima de 0,70)
Programa de Inclusão Social Pelo Trabalho
1 (um) projeto de incentivo técnico e financeiro
Consultório de Rua (CR)
1 consultório implantado ou em implantação
Hospitais Gerais / leitos
01 / 60
Fonte: Ministério da Saúde. Saúde Mental em Dados-10 ano VII, nº 10. Informativo eletrônico. Brasília: março de 2012.

Entretanto, figuras relevantes do Movimento pela Reforma Psiquiátrica apontam para o risco de uma "manicomialização" dos novos equipamentos, sendo que o CAPS poderá expor os serviços ao risco de sua deslegitimização social sem que os impasses sejam suficientemente identificados e enfrentados (Campos e Furtado, 2006, p.1054). Este assunto foi abordado em um congresso em São Paulo no ano de 2004, onde foi levantado algumas críticas em relação a ao trabalho do CAPS, diante do receio de uma nova "manicomialização", ou seja, ter o mesmo tratamento que as pessoas tinham nos manicômios.

Psicologia Social-Comunitária e o trabalho do Psicólogo nesse Campo
A terminologia usada – Psicologia Social-Comunitária – compreende o homem como um ser constituído sócio-historicamente, segundo Silva e Corgozinho (2011) e ao mesmo

tempo em contínua construção de concepções a respeito de si mesmo, dos outros e do contexto social em que vive.

No Brasil, a história e os fundamentos da Psicologia Comunitária passam por um contexto econômico e político que surgiu em meio ao golpe militar de 1964, segundo Lane (2007, p.17), e que ocasionou em meio a este contexto político um questionamento em meio aos profissionais da psicologia de qual seria o seu papel na sua conscientização e organização; surge também uma reflexão sobre a atuação profissional junto à maioria da população, sendo assim, sob o rótulo de psicologia social comunitária, houve no Brasil movimentos interdisciplinares na área de prevenção da saúde mental, unindo psicólogos, psiquiatras e assistentes sociais, na área da educação popular com a participação de pedagogos, psicólogos, sociólogos e assistentes sociais. (Lane, 2007, p.19)

Segundo Dittrich (1998) no que diz respeito à atuação do psicólogo na proteção dos direitos humanos das pessoas com sofrimento mental, este não pode abster-se de seu papel fundamental neste campo, onde é necessária uma desmistificação do sofrimento mental visto como uma patologia, de isolacionismo, de segregação e de institucionalização, de modo que o psicólogo deve, por todos os meios disponíveis, demonstrar que o sofrimento é, inexoravelmente, um constituinte da existência humana. A Importância crucial da socialização mostra que o melhor "remédio" contra o sofrimento mental é, e sempre será o contato humano e tal contato vem sendo maciçamente desestimulado em nossa sociedade (Dittich, 1998). Já para Barros e Marsden (2008), a formação dos psicólogos que atuam na saúde pública baseia-se em grande parte na cultura psicanalítica, sendo que nos últimos anos, reformas curriculares nas faculdades têm promovido a diversificação de linhas teóricas e uma abertura de certas correntes da Psicanálise à contextualização social, mas a influência do estruturalismo é fortemente presente na auto-representação do psicólogo.

A intervenção do psicólogo no contexto social comunitário, para Freitas (1998) apud Silva e Corgozinho (2011), se caracteriza atualmente por três ideologias de atuação que é a inserção assistencialista, a curiosidade científica e uma inserção pautada no compromisso real com a transformação social e a busca de mudanças das condições vividas por essa população. Silva e Corgozinho (2011) ressaltam que o processo de intervenção não deve ser unidirecional, uma imposição do querer de um profissional, ao contrário, o interventor é um profissional que busca transformações na comunidade em que está atuando com base no desejo e na demanda deste grupo. Ornelas (1997) apud Silva e Corgozinho (2011), afirmam que, a princípio, a intervenção tem como foco a transformação social e em última instância a transformação individual.

Diante do exposto acima, à luz das transformações conceituais e institucionais em torno da saúde mental brasileira, esse trabalho tem como objetivo, analisar um processo de Pesquisa-Intervenção realizado junto a um grupo de sujeitos do CAPS II, pessoas com sofrimento mental, de um município do interior de Rondônia.

MÉTODO
Segundo Rocha (2003), a pesquisa-intervenção vem constituindo-se em um dispositivo de transformação vinculado tanto à formação acadêmica dos psicólogos, quanto às práticas nas instituições, possibilitando novas análises construídas entre a macro e a micro política.
Amostra

Com relação ao perfil dos 17 sujeitos-alvo da intervenção, a faixa etária média é de 40 anos; quanto aos aspectos socioeconômicos, são de classe social baixa, sem vínculo empregatício e nem benefício do INSS; quanto a escolaridade, há analfabeto funcional, com ensino superior em formação e com o terceiro ensino fundamental incompleto; há quem more em casa de aluguel e outros que possuem casa própria, com renda familiar menor que um salário e até três salários mínimo vigente. Ainda foram participantes, 02 (dois) funcionários do referido CAPS II da cidade de Cacoal/RO.

Procedimentos e Materiais
Como etapas processuais, inicialmente foi realizado um estudo teórico-bibliográfico sobre o tema e sub-temas: Doença Mental, Reforma Psiquiátrica, Pessoa com sofrimento mental, Políticas Públicas para esse sujeito, o que forneceu os elementos categóricos e estado da arte no país. Na sequência, ocorreu o planejamento das etapas de campo, como a seleção de local, de pessoas de contato, os instrumentos de coleta de dados, pedido de autorização institucional, e as visitas organizadas sob a forma de observações e entrevistas a usuários e profissionais da instituição, bem como a metodologia de oficina de trabalhos artesanais que seria desenvolvida.

Em relação à intervenção psicossocial propriamente dita, ocorreram em três etapas, dentro do segundo semestre de 2013, em período matutino, com duração de 3 horas cada encontro, coordenados por acadêmicas do curso de Psicologia, junto ao espaço físico do CAPS II em Cacoal/RO, buscando observar como os sujeitos se comportam e como se

organizam, além de aplicar-lhes as entrevistas, com a perspectiva de identificar temas e problemas de ordem objetiva e subjetiva da tríade sujeito-instituição-comunidade.

A observação inicial do público-alvo ocorreu durante uma oficina de pintura em tela que ocorria com 12 (doze) participantes, de onde se entrevistou 03 (três) usuários, um homem e duas mulheres, seguida da entrevista com 02 (duas) pessoas que trabalham (gerente e enfermeiro do CAPS II). Na segunda etapa da intervenção, as acadêmicas foram ao encontro das usuárias do CAPS II que participavam da oficina de pintura em tela, para fazerem o convite, um encontro específico, onde seria desenvolvida a oficina de artesanato que ocorreria na próxima semana, sob a seguinte forma: uma introdução e técnica "quebra-gelo" em que respondiam a questões que vinham dentro de balões e que favoreceram a expressão de seus sentimentos com relação ao passado e desejos para o futuro (era um mês de dezembro que serviu de mote), além de falas que se referiram à importância do CAPS no seu tratamento, família e projetos. Essa técnica favoreceu a apresentação do grupo a partir de um estímulo verbal, promovendo a descontração e um sentimento de identidade grupal entre os membros do grupo; ao final foi servido um lanche e entregue um convite impresso em que anunciava a oficina de enfeite natalino.

Oficina de Artesanato: já na quarta etapa da realização da intervenção ocorreu a oficina de enfeite natalino de feltro, com 05 (cinco) participantes: foram organizadas em uma das mesas e os sujeitos receberam a explicação de cada etapa para a confecção do enfeite e seu uso na geração de renda. Nesse sentido, foi proposto que tal artesanato poderia ser produzido com baixo custo para promoção de qualidade de vida aos usuários do CAPS. Salientamos que essa última intervenção foi planejada e realizada de acordo com a demanda exposta na entrevista dos usuários do CAPS II, especialmente a partir de queixas coletadas no início e que relatavam sentimento de inutilidade e dificuldade de produzir algo rentável, e foram adaptados os dias e horários que os sujeitos poderiam participar.

RESULTADOS E DISCUSSÕES
Na sequência, apresentaremos a análise da pesquisa-intervenção a partir de categorias criadas, durante e a posteriori ao trabalho desenvolvido, como forma de sistematizar elementos observados e identificados em entrevistas e interações com sujeitos usuários e profissionais do CAPS:

Avaliação inicial/diagnóstico
Nota-se como é fundamental o trabalho desenvolvido no CAPS na vida dos usuários: A mudança de comportamento antes e depois de se tornarem usuários do CAPS foi relatado nas entrevistas e comprovado através das observações. Eles estavam entregues à sorte de seu sofrimento e ainda mais, ao sofrimento imposto pela sociedade, de forma que discriminação e exclusão eram alguns destes agravantes que em sua maioria partia de pessoas da própria família. Atualmente conquistaram, até onde permite seu sofrimento, autoestima, liberdade de expressão, amigos, autoconfiança, aceitação de seu sofrimento mental e enfrentamento dos respectivos sintomas.

Tema/problemas dos sujeitos
Foi possível observar e constatar através das falas que o sentimento de inutilidade e incapacidade também faz parte da vida da pessoa com sofrimento mental devido às limitações impostas, como exemplo, no desempenho de atividades laborativas, tanto as domésticas e rotineiras, quanto naquelas que exigem vínculo empregatício e que eles almejam para ajudar na renda familiar.

Identificamos o caso de um usuário que, devido ao efeito colateral de seus medicamentos, teve prejuízo no seu desempenho sexual, gerando conflitos em seu relacionamento conjugal, entretanto, buscando ajuda psicológica para conseguir superar esta crise. De acordo com a sua fala: "Devido o uso dos meus medicamentos tive prejuízo no meu desempenho sexual e isso ocasionava brigas entre eu e minha esposa, quando conversei com o psicólogo, recebi orientação nesta área e resolveu". (sic). Já um outro usuário também atribui seu bem estar mental ao psicólogo porque quando chega "péssima" e conversa com a psicóloga, consegue ficar bem. Nota-se que a proposta de intervenção para este e outros problemas similares, passa pela psicologia mas deve envolver a participação de todos os membros envolvidos no convívio direto com este indivíduo, sejam a esposa e os profissionais da saúde, de forma que se opere a lógica de atenção psicossocial. Quanto às modalidades, podem ser em sessões psicoterápicas individuais, já que o convívio dos familiares com esses pacientes é grandemente afetado devido aos sintomas do sofrimento mental e a intervenção psicológica através da terapia possibilitaria para o sujeito e toda a sua família uma vida mais tranquila, amenizando os conflitos existentes.

Também foi identificada durante as entrevistas a queixa por parte dos usuários do CAPS, em relação ao preconceito, discriminação e a desinformação sobre o sofrimento mental, expressos por parte dos familiares e vizinhança. S1: "Com minha família sim, com

pessoas de fora nunca sofri discriminação, pois nunca contei para ninguém, escondo porque tenho medo da discriminação"; S2 : "Sim, violação dos direitos, discriminação por parte da família (parente) e vizinhos" . Como intervenção para esses casos a proposta de enfrentamento pode ser através de palestras de orientação sobre os transtornos, os sintomas e as características da doença e incentivar a participação da família junto ao CAPS para conhecer a estrutura física e profissional existente.

Um dos problemas que mais se destacou na pesquisa foi a incapacidade laborativa dos entrevistados e que, segundo eles, gera um sentimento de inutilidade e incapacidade. Devido a classe social ser de baixa renda, estas pessoas sentem ainda mais a necessidade de ajudar nas despesas financeiras da família, mas fatores como o despreparo para a competitividade no mercado de trabalho, associado ao sofrimento mental e sintomas característicos e efeitos colaterais dos medicamentos, inviabilizam, em grande parte, que estas pessoas assumam um vínculo empregatício, apontando que há uma necessidade evidente de que sejam capacitadas profissionalmente com atividades que contribuam para sua renda familiar e, em conjunto, proporcione bem estar psicológico.

Laço Social e o tratamento
Com base na observação e escuta relacionadas aos aspectos psicossociais do tratamento, foi possível destacar alguns fatores como comportamento, relacionamento familiar e sofrimentos. Hoje são pessoas que conseguem conduzir suas vidas de forma mais saudável e durante as entrevistas aparentavam maior tranquilidade até mesmo para falar sobre o seu sofrimento que, segundo suas falas, era um quadro totalmente diferente do atual como usuários do CAPS II; por exemplo, o sujeito 01 afirmou que antes chorava, sofria desmaios, tinha depressão e ideações suicidas, mas hoje se considera feliz no CAPS, onde tem amigos, sente-se bem, confia nas pessoas; esse mesmo perfil de "antes e depois" acompanha a fala dos demais, sendo que o sujeito 2 relata que brigava com muita facilidade, com uso de agressões verbais e físicas, mas que hoje consegue se controlar e afirma: "mudei muito"; esse quadro também se repete com o sujeito 3 que diz ser agora quando consegue lidar melhor com seu sofrimento. Nesse elemento "tratamento", além do próprio CAPS, as famílias foram consideradas pelos entrevistados como pessoas extremamente importantes, de onde receberam apoio e o próprio encaminhamento para tratamento; não menos importante e mencionados, atribuiu-se aos profissionais da saúde que ali atuam, seu grau de importância.

O lugar e o papel da Psicologia
Confirma-se, em todos os elementos acima narrados, que a participação do psicólogo nesses processos e mediações é de grande relevância, pois segundo depoimentos, situações que vivenciam que não é possível solucionar com medicamentos, o psicólogo no uso de seu saber contribui para que este momento seja enfrentado da forma mais saudável possível.

A importância da atuação do profissional psicólogo ficou evidente tanto nas falas dos usuários quando dos funcionários entrevistados. Situações vivenciadas pelos usuários que fogem ao controle dos medicamentos e que são pertinentes ao âmbito emocional imbuído de sua subjetividade, faz com que a ciência psicológica se torne primordial à pessoa com sofrimento mental, como facilitadora e promotora de processos com vistas as conquistas da pessoa nos aspectos interpessoais, comunitários, sociais e culturais a que pertencem. As transcrições dos depoimentos a seguir confirmam isso: S1- "venho péssima de casa (mesmo medicada), e sinto-me bem quando falo com ele (psicólogo), consigo enfrentar o dia e as situações, enfrentar os problemas da família sem crises."; também há queixa do S2 sobre o efeito colateral do medicamento que usa e que causa prejuízo no seu desempenho sexual e que, por sua vez causava conflitos no relacionamento conjugal, mas que tem sido superados após a atenção recebida por um psicólogo.

Junto aos funcionários, quando indagados sobre o trabalho do psicólogo na instituição, obtivemos respostas nas quais foi possível identificar o quanto é importante a sua presença, conforme alguns aspectos relevantes em falas a seguir: Formação de equipe: "discutimos os problemas", "trocamos informações o tempo inteiro"; Resultados significativos: "o paciente precisa também de um psicólogo, faz a diferença"; "a avaliação psicológica é importante porque ajuda o paciente a se encontrar"; Assistência profissional específica: "acredito que só os medicamentos não resolvem, precisa de uma orientação, intervenção psicológica...". A partir destes depoimentos, notamos como se consolida a importância da Psicologia na percepção dos funcionários, mas também de sua atuação de forma interdisciplinar, de forma que favoreça o bem estar biopsicossocial da pessoa com sofrimento mental.

De todos os elementos analisados a partir da escuta e observações de usuários e funcionários, verifica-se a importância da Reforma Psiquiátrica e dos serviços substitutivos que emergiram no seu lastro de atenção à saúde mental, sendo que o CAPS se destaca como um dispositivo privilegiado para essa efetivação de direitos e políticas públicas para o sujeito portador de sofrimento mental. Apesar de haver uma preocupação de que esse dispositivo possa incorrer no risco de uma nova "manicomialização", os atores envolvidos, sejam usuários, familiares e profissionais, destacando o psicólogo, devem resistir a qualquer tentativa de uma reprodução do modelo asilar nesse espaço constituído para a sua superação. (Campos e Furtado, 2006).

Quanto ao aspecto metodológico, constatou-se como a pesquisa-intervenção pode se constituir num dispositivo de produção de conhecimentos e transformação vinculado tanto à formação acadêmica dos psicólogos, quanto às práticas nas instituições, possibilitando novas análises construídas entre a macro e a micro política (Rocha, 2003). No entanto, tal intervenção deve ocorrer de forma comunitária, de modos a superar uma mera inserção assistencialista, a simples curiosidade científica, buscando uma ação pautada no compromisso real com a transformação social (Silva e Corgozinho, 2011).

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Preocupados com a busca de superação da manicomialização, novas práticas surgiram e se apresentam não como um modelo padronizado de ação, mas como caminhos que tornam possível esta prática e que em conjunto com outras classes, o psicólogo desempenha um papel fundamental. Tal é o trabalho realizado pelo CAPS- Centro de Atenção Psicossocial que visa oferecer atendimento a uma população específica, realiza o acompanhamento clínico e a inserção social dos usuários pelo acesso ao trabalho, lazer, exercício dos direitos civis e fortalecimento dos laços familiares e comunitários através de uma ação interdisciplinar. Os CAPS são serviços de saúde municipais, abertos, comunitários que devem oferecer atendimento diário, tendo como função prestar atendimento clínico em regime de atenção diária, evitando as internações em hospitais psiquiátricos; acolher e atender as pessoas com transtornos mentais graves e persistentes, regular a porta de entrada da rede de assistência em saúde mental na sua área de atuação; além de promover a reinserção social do indivíduo através do acesso ao trabalho, lazer, exercício dos direitos civis e fortalecimento dos laços familiares e comunitários.
Sabemos que ao longo da história de pessoas com sofrimento mental, houve um avanço considerável e conquistas eméritas neste campo, mas que ainda há muito a ser feito, especialmente na região Norte do país, onde tal dispositivo ainda se encontra em amadurecimento. Neste contexto, cabe ao psicólogo estar mais atento as demandas sociais principalmente no que se refere ao público em questão, intervindo de forma a superar a visão que concebe seu sofrimento como unicamente de ordem individual, dissociando das demais estâncias em que vive. Sendo assim, o psicólogo deverá propor caminhos com base em uma ação compartilhada, afim de que estes indivíduos possam construir sua própria história.

A experiência de conviver mesmo que por pouco tempo com uma comunidade denominada "pessoas com sofrimento mental" nos fez refletir mais sobre o universo em que vivemos e nossos (pré) conceitos acerca de situações e pessoas alvo do trabalho do psicólogo. A revelação da potencialidade do ser humano, mesmo com certo grau de comprometimento e impedimento imposto pelo seu sofrimento, deve ser reconhecida e valorizada. Já o que não deve ser valorizado, e sim combatido, e que compromete ainda mais o sofrimento desses sujeitos, é o preconceito, a discriminação, a segregação, a alienação e o isolamento.

Nesse contexto, a relação pesquisador/objeto pesquisado deve ser dinâmica e, assim, determinará os próprios caminhos da pesquisa como uma produção do grupo envolvido. Durante essa pesquisa-intervenção houve uma troca de saberes entre pesquisadores e sujeitos, onde os acadêmicos foram surpreendidos com a participação e troca de experiências com os sujeitos, desde as sugestões de como melhorar a produção e assim poder realizar a venda do artesanato de forma lucrativa, o que aponta como os usuários se sentiram empoderados e produtivos. Destaca-se, nessa linha, a importância de ações e projetos de pesquisa-intervenção no curso de Psicologia como dispositivo para desenvolver ações terapêuticas junto a esse público; A metodologia de pesquisa-intervenção psicossocial através de oficinas pode ser estimulada e aperfeiçoada no tratamento de temas relevantes para o usuário do CAPS, em especial, devido ao seu caráter lúdico, dinâmico e participativo, de forma a se construir novas relações entre usuários, família e comunidade.

Em meio a tudo que foi observado, escutado e sentido, podemos concluir que não há possibilidades de pensar a inclusão social e a saúde mental, se não houver uma visão otimista dos processos humanos, quer sejam nas políticas públicas, nas disciplinas, na gestão social, enfim, em todos os setores e pessoas que se voltam para essa causa, até mesmo a partir dessa pesquisa-intervenção realizada junto ao CAPS II. A diversidade de ideias e ações é necessária e a Psicologia tem seu reconhecimento a partir do momento que utilize de seus conhecimentos de forma efetiva na sociedade como promotora e facilitadora da saúde mental e também da preservação dos direitos humanos das pessoas com sofrimento mental.

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Recebido em: 11 de setembro de 2014
Aceito em: 04 de maio de 2015

 
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